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“Temos que discutir”: Vice da federação alemã sugere boicote à Copa de 2026 por tensão com Trump

A participação da Alemanha na Copa do Mundo de 2026 deixou de ser uma certeza absoluta. Em meio à escalada de tensão diplomática envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Federação Alemã de Futebol (DFB) sugeriu a possibilidade de um boicote em massa ao torneio.

O estopim para a crise envolve a insistência de Trump em anexar a Groenlândia e a ameaça de impor tarifas comerciais severas aos países europeus que se opuserem aos seus planos. O cenário refeltiu diretamente no planejamento para o Mundial.

A declaração mais contundente veio de Oke Göttlich, vice-presidente da DFB e também mandatário do clube St. Pauli. Em entrevista à imprensa alemã, o dirigente não se esquivou ao ser questionado se a Europa deveria reagir esportivamente às investidas norte-americanas.

“Chegou a altura de considerar e debater seriamente a possibilidade de uma retirada em massa da Copa do Mundo”, defendeu Gottlich.

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“Se Donald Trump cumprir suas ameaças em relação à Groenlândia e desencadear uma guerra comercial com a União Europeia, acho difícil imaginar os países europeus participando da Copa do Mundo”, declarou também o influente deputado Roderich Kiesewetter, ao jornal Augsburger Allgemeine.

Pressão política e popular

O debate não está restrito aos corredores da Federação. Em Berlim, a classe política também tem externado o descontentamento com a postura dos Estados Unidos, vendo no futebol uma ferramenta diplomática de pressão contra Trump.

O apoio popular a uma medida drástica também é significativo. Pesquisas recentes indicam que cerca de 47% dos alemães seriam favoráveis a um boicote caso as ameaças de anexação territorial se concretizem, mostrando que o tema também afetou os amantes do futebol.

A posição do governo: autonomia do esporte

Apesar da pressão de parlamentares e da opinião pública, o governo alemão tenta manter, oficialmente, o distanciamento das decisões de campo. A administração federal reiterou que não fará uma intervenção direta na DFB, jogando a responsabilidade para os cartolas.

Em comunicado à agência AFP, a secretária de Estado de Esportes, Christiane Schenderlein, enfatizou a separação entre Estado e entidades esportivas.

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“O governo federal respeita a autonomia do esporte. As decisões relativas à participação em grandes eventos esportivos ou ao seu boicote competem exclusivamente às federações esportivas responsáveis, e não ao mundo político”, declarou Schenderlein.

A Fifa, até o momento, monitora a situação nos bastidores, ciente de que a ausência de uma potência como a Alemanha — e o potencial efeito dominó na Europa — seria um golpe duro para a organização do primeiro Mundial com 48 seleções.

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