Operação Penalidade Máxima: Clubes brasileiros afastam jogadores; veja lista de envolvidos
O Ministério Público de Goiás fez uma nova denúncia sobre manipulação de jogos no futebol brasileiro. Estão sob investigação partidas das Séries A e B do Campeonato Brasileiro de 2022, além de confrontos dos estaduais que aconteceram neste ano.
Alguns clubes, entretanto, optaram por afastar os jogadores que foram citados pela Operação Penalidade Máxima II.
No fim da noite de terça-feira e início da madrugada, o Fluminense anunciou o afastamento preventivo do zagueiro Vitor Mendes. O nome do atleta aparece em conversas que apontam que ele teria recebido uma quantia em dinheiro para levar um cartão no jogo contra o Fortaleza, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Posteriormente, o Cruzeiro também anunciou por meio de suas redes sociais o afastamento do volante Richard. Em conversas com apostadores, o nome do jogador aparece em uma lista, junto com o de Nino Paraíba. Segundo a rádio “Itatiaia”, volante ainda afirma que recebeu contato de outros aliciadores, mas garante fidelidade ao grupo.
Na última terça-feira (9), o Santos foi um dos primeiros a tomar a atitude, quando afastou Eduardo Bauermann após a publicação de vários trechos de conversas suas com apostadores para receber cartões.
No início da tarde, o Athletico-PR anunciou o afastamento de Pedrinho. Segundo prints de conversas publicadas pelo jornalista Juliano Lorenz, do Portal Trétis, o lateral teria recebido 80 mil, sendo metade adiantado, para levar um cartão amarelo no duelo contra o Cuiabá, pelo Brasileirão do ano passado.
Em seguida, o clube anunciou a mesma atitude com Bryan Garcia, que irá retornar ainda nesta quarta-feira para Curitiba. Segundo o jornalista Juliano Lorenz, do Portal Trétis, prints de uma conversa mostram que Bryan receberia 35 mil reais pela falta cometida no jogo contra o Fluminense e 50 mil no total.
Posteriormente, o São Bernardo também comunicou o afastamento do volante Fernando Neto, que teve seu nome citado na investigação. Ele supostamente teria participado de um esquema quando jogava no Operário, aceitando uma oferta de R$ 500 mil para ser expulso em uma partida contra o Sport, válida pela Série B.
O América-MG usou as redes sociais para comunicar o afastamento do lateral Nino Paraíba. O jogador foi citado em prints da investigação do MP-GO. Com relação aos demais atletas citados (Marlon, Dadá Belmonte e Matheusinho), o clube irá acompanhar as próximas informações.
“O América Futebol Clube informa que o atleta Nino Paraíba está afastado preventivamente das atividades do futebol. O clube está acompanhando os desdobramentos da Operação Penalidade Máxima 2, do Ministério Público de Goiás, em relação aos demais atletas que tiveram os nomes envolvidos neste lamentável episódio”, diz a nota enviada pela assessoria.
Nesta segunda-feira (15), o clube mineiro, no entanto, comunicou a decisão de rescindir o vínculo com Nino Paraíba. O mesmo ocorreu com Gabriel Tota, pelo Ypiranga-RS – no dia seguinte, Tota foi também desligado pelo Juventude, clube que era dono de seu passe.
O Inter optou por cortar o meia Maurício em meio a denúncias realizadas nesta quarta-feira. Por nota, o clube informou que, em comum acordo, o intuito de retirá-lo do jogo contra o Athletico-PR, no Beira-Rio, é para preservar o jogador, pois ele possui provas que recusou a oferta.
“O Sport Club Internacional, diante dos fatos veiculados nos meios de mídia na tarde do dia de hoje e que denotam uma citação ao atleta Maurício, vem a público informar que já depurou com o atleta todos os elementos relacionados a citação de seu nome na investigação que se desenvolve a respeito das apostas esportivas no âmbito do futebol brasileiro e que se tornaram públicas nos últimos dias. O atleta apresentou os elementos e provas robustas que demonstram a sua não participação em quaisquer fatos irregulares que estão sendo veiculados. Reafirmamos a nossa confiança no atleta diante de tudo que foi preliminarmente depurado. Em face da repercussão ocasionada há poucas horas antes do início da partida válida pelo Campeonato Brasileiro no dia de hoje contra a equipe do Athletico, decidiu-se por comum acordo pela preservação do jogador exclusivamente na presente partida. A partir de amanhã, o atleta retornará a sua normal rotina de treinamentos e estará plenamente a disposição para representar o clube. O Sport Club Internacional reafirma o seu compromisso com a ética esportiva e apoia a depuração de qualquer fato que possa atentar contra o futebol”.
Diferentemente do rival, o Grêmio decidiu não afastar Nathan, que também teve seu nome ligado à manipulação de resultados. Em comunicado nas redes sociais, o Tricolor informou que procurou o jogador, que negou qualquer tipo de envolvimento. Por fim, colocou-se à disposição das autoridades responsáveis no sentido de colaborar com as investigações.
“O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense vem a publico informar que, após notícia veiculada no jornal O Globo, citando o atleta Nathan Allan de Souza, tomou a iniciativa de procurar o jogador e buscar todos os esclarecimentos referentes à citação do mesmo na operação Penalidade Máxima II. À direção do Clube, Nathan informou que foi procurado por aliciadores envolvidos com apostas esportivas, porém rechaçou a aproximação e, em momento algum, cogitou participar da manipulação de jogos. De posse das informações, o Grêmio manifesta repúdio às tentativas espúrias de interferência na lisura do futebol e reafirma seu compromisso de zelar pela transparência do jogo e agir proativamente na conscientização de seus atletas, corpo técnico e colaboradores, no intuito de prevenir quaisquer desvios de conduta que afrontem os regramentos da Fifa e da CBF. Por fim, o Clube se coloca à disposição das autoridades responsáveis no sentido de colaborar com as investigações”.
A Chapecoense também se pronunciou por meio de nota sobre Victor Ramos, um dos jogadores envolvidos e atualmente membro do elenco. Na época da denúncia, o zagueiro defendia a Portuguesa.
“Diante das denúncias referentes à Operação Penalidade Máxima II – que tem, entre os indiciados, um atleta que, atualmente, defende a Associação Chapecoense de Futebol – a instituição vem a público a fim de reforçar a sua concordância e respeito às investigações que estão sendo realizadas pelo MP-GO, pelo GAECO e pela Promotoria de Combate ao Crime Organizado.
Contudo, o clube aguarda, efetivamente, o julgamento do órgão competente. A partir de então, a agremiação tomará as medidas necessárias – sempre prezando pela defesa dos princípios éticos“.
Nos Estados Unidos, o Colorado Rapids, também anunciou o afastamento de Max Alves, investigado pela operação.
“O jogador foi retirado de todas as atividades enquanto a MLS conduz uma investigação sobre o assunto”, informou o Colorado Rapids, em comunicado, sem citar o nome do atleta.
Veja todos os jogadores que foram citados até o momento nas investigações
- Eduardo Bauermann (Santos)
- Gabriel Tota (Ypiranga-RS)
- Paulo Miranda (sem clube)
- Igor Cariús (Sport)
- Victor Ramos (Chapecoense)
- Fernando Neto (São Bernardo)
- Matheus Gomes (sem clube)
- Moraes (Atlético-GO)
- Kevin Lomónaco (Red Bull Bragantino)
- Nikolas Farias (Novo Hamburgo-RS)
- Jarro Pedroso (Inter-SM)
- Romário (ex-Vila Nova)
- Joseph (Tombense)
- Mateusinho (Cuiabá)
- Gabriel Domingos (Vila Nova)
- Allan Godói (Sampaio Corrêa)
- André Queixo (Ituano)
- Ygor Catatau (Sephan-IRA)
- Paulo Sérgio (Operário)
- Léo Ralpe (Red Bull Bragantino)
- Maurício (Internacional)
- Alef Manga (Coritiba)
- Rafael Vaz (São Bernardo)
- Bryan García (Athletico-PR)
- Pedrinho (Athletico-PR)
- Richard (Cruzeiro)
- Vitor Mendes (Fluminense)
- Nino Paraíba (América-MG)
- Marlon (América-MG)
- Matheusinho (América-MG)
- Dadá Belmonte (América-MG)
- Nathan (Grêmio)
- Jesus Trindade (Coritiba)
- Max Alves (Colorado Rapids)
Pedido de suspensão preventiva
A Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) apresentou nesta segunda-feira (15) um pedido de suspensão preventiva por 30 dias contra oito atletas envolvidos no esquema de manipulação de partidas no futebol brasileiro.
No dia seguinte, o pedido de suspensão preventiva foi aceito pelo presidente do Tribunal, Otávio Noronha.

