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A nova era do New York Cosmos: como o clube que Pelé imortalizou planeja voltar ao topo após cinco anos de hiato

Em março, o futebol dos Estados Unidos se prepara para reencontrar uma de suas equipes mais emblemáticas. Após um hiato iniciado em 2020, o New York Cosmos confirmou seu retorno oficial aos gramados, desta vez integrando a USL League One, o terceiro escalão da pirâmide do futebol americano.

Conhecido mundialmente por ter sido a casa de lendas como Pelé, Beckenbauer e Carlos Alberto Torres nos anos 1970, o clube agora busca uma trajetória mais estável.

Diferente do primeiro “reboot”, em 2010, quando voltou a competir 25 anos após encerrar suas operações, o Cosmos aposta em mudanças para tentar escrever um capítulo distinto de sua história recente.

Onde o Cosmos vai mandar seus jogos?

A principal delas é a mudança para a cidade de Paterson, em North Jersey. No local, o clube mandará seus jogos no Hinchliffe Stadium, estrutura que teve papel central no processo de retomada da equipe e passou por reformas entre 2021 e 2023.

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Em entrevista exclusiva ao 365Scores, o CEO do New York Cosmos, Erik Stover, explicou como a recuperação do estádio se tornou um dos pilares do planejamento.

Além disso, ele detalhou por que o atual projeto se diferencia das tentativas anteriores:

“O mais importante para nós foi o resgate do Hinchliffe Stadium. É um marco histórico nacional, um estádio de 90 anos. Nos Estados Unidos, fazemos um trabalho muito ruim em salvar lugares assim; nossa cultura tende a demolir as coisas e jogá-las fora”.

“O Cosmos nunca teve seu próprio estádio. Eles sempre foram nômades, mudando de um lugar para outro tentando encontrar um lugar para jogar. Isso é muito caro e não é uma receita para o sucesso.

Você precisa da sua casa. E nós temos isso agora. A restauração do estádio foi fundamental”, completou Stover.

Hinchliffe Stadium, nova casa do New York Cosmos – Foto: Reprodução de vídeo

A importância da Copa e do desenvolvimento local

Stover também apontou outros dois fatores considerados decisivos para a retomada do clube: a realização da Copa do Mundo nos Estados Unidos e a necessidade de desenvolver o futebol em nível local.

O torneio é visto como uma plataforma estratégica para ampliar a conexão do Cosmos com o público. Uma das iniciativas para isso é abrir o Hinchliffe Stadium gratuitamente para passar jogos como forma de acolher torcedores que não têm condições financeiras de arcar com os altos custos dos ingressos.

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Ainda segundo o dirigente, “não acho que estaríamos falando do Cosmos novamente sem a Copa do Mundo“.

Já sobre o esporte na região, Stover ressaltou que o grande objetivo é “preencher a lacuna” existente para jogadores talentosos em áreas urbanas, onde a falta de infraestrutura, formação adequada e acessibilidade financeira dificulta o acesso ao nível profissional. A ideia é que atletas formados localmente se tornem protagonistas no futuro.

“No Brasil, em São Paulo, por exemplo, o talento tem um caminho para se tornar profissional. Nos EUA, em áreas urbanas como Nova York, se você não tem dinheiro é quase impossível chegar ao topo. A infraestrutura e o acesso simplesmente não existem para essas crianças; é a exceção, não a regra.

“Se você olhar para o esporte no resto do mundo, as áreas urbanas são de onde as crianças vêm, de onde vem o talento de elite. De Pelé jogando descalço a Lamine Yamal, é a mesma história com 70 anos de diferença. Nós simplesmente não fazemos isso bem nos Estados Unidos”, assegurou.

O NY Cosmos vai investir em grandes estrelas?

Diferente das contratações de impacto imediato do passado, como Raúl González e Marcos Senna, a nova filosofia do time prioriza a sustentabilidade e a subida gradual de divisões. Ainda assim, o CEO do New York Cosmos detalhou que a ideia é trazer um equilíbrio para isso.

Raúl, ex-Real Madrid, e Marcos Senna, ex-Villarreal, jogaram pelo Cosmos – Foto: Ira Black/Corbis via Getty Images

Para ele, o sistema de acesso e rebaixamento da United Soccer League (USL) dá esperança para “começar devagar, construir o clube de forma metódica e sustentável através das divisões”.

O plano é que, em 2028, a organizadora crie uma primeira divisão para completar a pirâmide e competir com a Major League Soccer (MLS).

Como atrair a atenção de promessas

Uma das mudanças mais comentadas no retorno do Cosmos é visual. O novo escudo passa a exibir apenas “Cosmos”, abrindo mão da referência direta a “New York”.

Embora o registro oficial da equipe ainda mantenha o nome da metrópole, a decisão estética para 2026 busca encerrar a chamada “guerra de fronteiras” entre os estados de Nova York e Nova Jersey.

De acordo com Erik Stover, a alteração não representa um afastamento das origens, mas sim uma retomada do período de maior glória da instituição.

Para o dirigente, a marca “Cosmos” é suficientemente forte para se sustentar de forma universal, traçando um paralelo com o Arsenal, de Londres, reconhecido globalmente sem a necessidade de estampar o nome da cidade no uniforme.

O CEO também comentou a concorrência com New York City e New York Red Bulls na captação de jovens talentos da região.

Questionado sobre o tema, Stover afirmou que o principal diferencial para vencer a disputa está na oferta de minutos em campo, algo que, segundo ele, o modelo atual do futebol nos Estados Unidos frequentemente não proporciona.

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“Se você é um jovem talentoso, terá uma oportunidade melhor conosco porque você vai jogar. Nos EUA, os jovens não recebem minutos profissionais suficientes.

É um fato matemático que a Dinamarca tem mais minutos para sub-20 do que todos os Estados Unidos. Aceitar que não somos o topo da pirâmide global é parte do sucesso. Nosso objetivo é gerar receita com transferências e reinvestir no clube”, salientou.

Legado de Pelé

Nenhuma figura é tão central para a mística do Cosmos quanto Pelé. O Rei do Futebol disputou suas últimas duas temporadas como jogador profissional pela equipe americana e trouxe reconhecimento mundial.

Erik Stover enfatizou que o eterno camisa 10 e “a cultura brasileira são partes fundamentais de quem somos”. O planejamento para o Hinchliffe Stadium inclui a criação de um museu oficial para expor relíquias como chuteiras e camisas autografadas de Pelé.

“Temos a obrigação de continuar contando sua história. O legado dele se alinha perfeitamente com a nossa missão de ser um clube cosmopolita e cultural.

Estaremos sempre abertos à cultura brasileira e aos fãs que quiserem visitar o futuro museu do Cosmos para ver suas chuteiras ou uma camisa autografada. Pelé e a cultura brasileira são partes fundamentais de quem somos”, afirmou o CEO.

Como foi a passagem de Pelé pelo New York Cosmos?

Apesar de já estar no fim de carreira e sofrer com os campos de grama sintética, Pelé teve bom desempenho nos Estados Unidos:

  • Jogos: 107 (incluindo amistosos)
  • Gols: 64
  • Título: Conquistou o campeonato da NASL (North American Soccer League) em 1977, seu último ano como profissional
Pelé defendeu o New York Cosmos por duas temporadas – Foto: George Tiedemann /Sports Illustrated via Getty Images

O futuro do New York Cosmos

O planejamento do Cosmos para os próximos anos vai muito além do que somente fazer sucesso na League One. A principal prioridade é conquistar o sucesso comercial na região de North Jersey, com uma visão multiesportiva.

No entanto, o pilar mais ambicioso dessa expansão é o futebol feminino, com previsão de estreia para o segundo semestre de 2028.

“Estamos 100% comprometidos com o lançamento para 2028. Em muitos aspectos, é um projeto mais importante que o masculino. North Jersey é o melhor lugar do mundo para desenvolver jogadoras, mas hoje faltam times profissionais para elas.

Teremos um tempo de planejamento maior para o feminino, o que é ótimo. Montar o time masculino para estrear em apenas sete meses foi um desafio enorme”

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Para evitar problemas financeiros, um plano de sustentabilidade está focado no mercado internacional. O Cosmos planeja ser um exportador de talentos.

“Prevejo que, em cinco anos, teremos transferido um jogador para a Europa por um valor significativo. Ser um ator no mercado de transferências é essencial; essa receita quase não existe de forma consistente no futebol americano, mas é crítica para o funcionamento dos clubes no resto do mundo. Já nos primeiros cinco anos, veremos o sucesso desse modelo”, finalizou Erik Stover.

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Lucas Dantas

Jornalista formado pela UNIFACHA do Rio de Janeiro, apaixonado por futebol e pela arte de contar boas histórias dentro e fora das quatro linhas. Também tento me arriscar na Fórmula 1.

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