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Marcos Braz revela bastidores da saída de Gabigol do Flamengo e compara com Adriano: “Me deu mais trabalho”

Ex-vice-presidente do Flamengo de 2019 a 2024, Marcos Braz participou da era vitoriosa do clube e conviveu com polêmicas e crises. Uma das situações marcantes desse período foi a relação com Gabigol. O atacante, atualmente no Santos, teve uma saída conturbada do Rubro-Negro.

Em entrevista ao Ge, Braz revelou bastidores dos últimos meses de contrato e da negociação por renovação do Gabigol, o que não se concretizou. O dirigente, agora no Remo, citou a declaração do jogador após o título da Copa do Brasil sobre o Atlético-MG, na Arena MRV.

“O Gabriel tem razão de questionar o ponto de ter sido feita a tratativa do contrato, mas talvez o modo que ele foi pontuando para fazer essa cobrança no resultado final poderia ter sido com alguns cuidados que ele não tomou. Cuidados como o Flamengo ganhar um campeonato importantíssimo, na casa de um adversário histórico, e mesmo assim ele solta outros tipos de notícias que não eram pertinentes naquele momento”, iniciou.

“Eu não esperava que ele falasse naquele momento, mas eu já era mais do que sabedor que a negociação estava em curso. Inclusive, por respeito a minha pessoa, quem estava negociando já tinha me comunicado. O Cruzeiro já tinha me comunicado”, completou.

Marcos Braz também foi vice-presidente do Flamengo em 2009, quando trabalhou com Adriano. O dirigente comparou Gabigol e Imperador e afirmou que o atacante do Santos deu mais trabalho a ele.

“São momentos diferentes, mas o Gabigol era o Gabigol (risos). Talvez para não ser injusto nessa comparação, talvez o Gabriel seja (o mais difícil) pelo mundo atual, pela exposição que vivemos hoje. É o mundo da tecnologia, das filmagens, das redes sociais… Eu fiquei mais tempo com ele (risos). É mais do que natural ele me dar mais trabalho porque eu fiquei mais tempo com ele.”

Após longo período juntos no Rubro-Negro, Braz e Gabigol vão se reencontrar no Brasileirão. O Remo vai enfrentar o Santos na nona rodada, marcada para o início de abril, na Vila Belmiro. Dois jogos antes, o dirigente vai reviver o Maracanã diante do Flamengo.

Foto: Wagner Meier/Getty Images

Veja outras respostas de Marcos Braz:

Polêmica de Gabigol com a camisa do Corinthians

“O Gabigol nunca chegou atrasado a um treino, não me recordo. Treinava muito e era o último a sair. A camisa do Corinthians foi super fácil de conduzir, foi ruim para ele. Não tinha como seguir como capitão do Flamengo depois daqueles fatos e com a camisa 10, e ele entendeu. Ficou chateado, triste, mas entendeu.”

Relação com Gabigol

“Não tem nada a ver com ele ter falado de ir para novos ares. O problema é que, quando ele foi substituído, não teve o cuidado de dar a tranquilidade ao ambiente que deveria ter dado. Em um segundo momento, na outra semana, entendemos que foi acima do tom o que ele fez e deveríamos afastá-lo. Afastei como afastei outros jogadores em outras situações. É um procedimento normal.

Com o Adriano em 2009, não jogou contra o Corinthians (na penúltima rodada) porque eu entendia que tinha que ter tido outro tratamento perto do episódio da queima do pé. O protocolo é esse. “Ah, não vou fazer”. Saiu do jogo, ficou uma semana sem falar comigo, queria me matar, e fomos campeões do Brasileirão. Eu tive uma situação parecida com o Gabriel em 2019, mas as pessoas esquecem.

Quando eu fui contratar o Gabriel em definitivo, precisava primeiro acertar a vida com ele para depois ir na Inter de Milão. Foi quando eu passei na zona mista depois e disse que a nossa vida estava muito perto de resolver, mas que o Gabriel precisava decidir a vida dele. Isso deu um problema, ele achou que eu expus ele… Aí, em dezembro, quando a gente foi campeão da Libertadores, ele pulou em mim e disse: “Você vai ter que renovar porque eu sou campeão da Libertadores”. Eu olhei e falei: “Você está esquecendo que eu sou também”. E fomos comemorar na boa.”

Saída de Gabigol

“O Gabriel sabe a verdade. A negociação foi feita, todos os trâmites, e previamente passou pelos setores que deveriam passar no clube. Foi feita uma covardia de alguns vagabundos que falaram que eu fechei um número sem estar autorizado e o Landim não assinou, e eu não podia me defender porque teria que dar detalhes em algumas situações e fiquei quieto.

O tempo foi passando, a coisa não se concretizou e deu o desfecho que deu. O que eu posso falar é que o departamento de futebol do Flamengo fez todos os trâmites de renovação de um contrato como sempre fez em seis anos. Chegou a um momento e a determinada situação que entendiam que não teriam que renovar e andar para frente com o que foi autorizado e foi isso que aconteceu.”

Reencontro com o Flamengo no Brasileirão

“Acho que o ponto que mais me faz ficar e me segura no Remo é o de não ir para um grande adversário do Flamengo. Ainda tenho muita dificuldade de pensar nisso aí… Ainda não consegui fazer uma ruptura completa neste sentido. Volto a falar: tenho a cabeça muito tranquila do meu ciclo fechado no Flamengo. O que eu não tenho tranquilo e me tornar adversário direto pelos objetivos do Flamengo. Para deixar bem claro, os objetivos do Remo na competição de 2026 nada tem a ver com os objetivos do Flamengo. Me dá frio na barriga pensar em estar em um clube que tenha os mesmos objetivos do Flamengo.”

Saída de Jorge Jesus

“A saída do Jorge Jesus, mesmo não tendo uma turbulência muito grande, porque a culpa não era nossa, era um desejo dele, eu tinha a noção exata do que estava acontecendo. Tinha noção do que era perder uma comissão técnica da maneira que estava jogando o Flamengo, campeão da Libertadores, do Brasileiro como foi… Não foi o momento que eu achei que foi a maior crise, mas foi uma fase e uma situação que eu tinha a dimensão do que representaria até mesmo para mim, como vice-presidente.”

Erro ao demitir Rogério Ceni

“Eu errei ao tirar o Rogério Ceni naquele momento. Eu me arrependo muito de demitir e não fui coerente. No futebol, você pode ser tudo, pode errar, acertar, mas não pode ser incoerente. Por quê? Eu segurei ele antes de ser campeão, a torcida pedindo para me demitir e demitir ele… Segurei o Rogério, que depois me pediu demissão duas vezes e convenci ele a seguir para ser campeão no Morumbi. Falei isso para ele. Seguro ele, o Flamengo é campeão do Brasil, da Supercopa, tricampeão estadual, e mais na frente por questões internas, pressão de A, de B, eu demiti.”

Troca por Dorival Júnior

“A gente iniciou o processo de renovação e fez uma proposta. Veio uma contraproposta e no meio disso aí entendemos que não deveríamos ficar reféns e fomos por outro caminho. Isso foi o que aconteceu. Talvez se tivéssemos mais certezas em relação a a, b ou c, poderíamos estender essa negociação por um novo contrato, mas entendemos que deveríamos trocar e foi feito. Falar desse assunto em cima dos resultados… Na verdade, a análise é essa, em cima dos resultados posteriores, aí é muito difícil. Eu acho… Acho não, eu trocaria de novo.”

Tentativa em contratar Balotelli para o Flamengo

“O único jogador que eu viajei e não contratei foi o Balotelli. Era uma conversa com um dos maiores empresários do mundo, que era o Mino Raiola, que, inclusive, já morreu. Ele foi muito correto com o Flamengo, não expôs o clube nem a mim em momento nenhum. O Mino queria que ele ficasse na Itália para se recuperar e disputar a Euro de 2020. Ele tinha uma extrema preocupação, e avisou 200 vezes, do Balotelli no Rio de Janeiro. Eu falei: “Fica tranquilo que eu estou acostumado”.”

Tragédia do Ninho e tratamento dado aos familiares

“Acho que a gente poderia ter alguns cuidados a mais do que a gente teve. Agora, acho que não deveria ter deixado a última família e acabar a nossa gestão sem resolver. É um ponto que eu não entendo e não concordo. Independentemente do prazo, um pouco mais ou menos, a nossa gestão deveria ter feito o último acordo. Faltou habilidade em todos os sentidos em relação a isso, é o único ponto. De resto, não vou falar.

É um assunto que marca todos nós. Eu fui o único dirigente que chegou ainda com os bombeiros esfriando o local. Quando acontece um incêndio daquele da maneira que foi, primeiro os bombeiros precisam resfriar a área para começar a mexer, estava em altíssima temperatura e eu cheguei neste momento. Eu vi cenas que não gostaria que nem meu pior inimigo visse, mas tratamos o assunto como deveria ser tratado. Existiu um comitê de crise instalado e foi isso.

Para responder a pergunta, eu acho que deveríamos ter feito o último acordo e não fizemos. Não sei se o diferencial foi grande, nunca participei dessas negociações e não posso ser incorreto, mas deveríamos ter encerrado e não foi feito.”

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Fellipe Perdigão

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