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Yuri César fala sobre amizade com Vinicius Júnior e volta ao Flamengo: “Nem penso duas vezes”

A caminho do sexto ano nos Emirados Árabes, o atacante Yuri César ganha destaque junto do Shabab Al Ahly. O brasileiro é o artilheiro, com cinco gols, da equipe líder do Campeonato Emiradense. A competição, porém, ficará de lado por um instante para a disputa da final do UAE-Qatar Super Shield.

O Shabab Al Ahly vai enfrentar o Al Sadd, neste sábado (24), às 13h (de Brasília), no Catar. Em entrevista exclusiva ao 365Scores, Yuri César projetou o duelo contra o time de Roberto Firmino e Claudinho.

“Vai ser um jogo muito bom, pegado, até por ser uma final. Eles (Al Sadd) têm muitos jogadores top que a gente conhece. Já jogamos contra, infelizmente a gente perdeu um jogo contra eles, uma virada. Sabemos da qualidade deles, mas tenho certeza que eles sabem da nossa qualidade também. Vai ser aquele jogo que é decidido no detalhe”, disse ao 365Scores.

Revelado no Flamengo, Yuri César pode chegar ao décimo título pelo Shabab Al Ahly, caso vença o UAE-Qatar Super Shield. Nesse longo período no país, o brasileiro tirou a cidadania emiradense e pode defender a seleção local.

Com contrato até junho de 2027, o atacante tem o desejo de atuar no futebol europeu, mas não descarta uma renovação com o Shabab. À frente dessas opções, está o Flamengo. O jogador “não pensaria duas vezes” em retornar ao Rubro-Negro.

“Tenho vontade de ir para Europa. Vou cumprir meu contrato aqui, mas se chegar alguma coisa boa de renovação também é sempre bom estar olhando. Se tiver que voltar um dia, nem penso duas vezes. Se chegar proposta, nem penso também, tá louco.”

Foto: Alexandre Neto/Photopress/Gazeta Press

Yuri César e Vinicius Júnior: laço antigo e familiar

A amizade entre Yuri César e Vinicius Júnior é desde as categorias de base do Flamengo, e vai além dos dois. A mãe do craque do Real Madrid mantém contato com o atacante do Shabab Al Ahly, inclusive passaram o Natal juntos no ano passado.

“Quando a gente surgiu ali na base era eu, ele e o Lincoln. A gente sempre foi muito amigo e depois que ele subiu pro profissional ele continua na mesma humildade. É o que ele é hoje em dia, humildade pura. Quando ele surgiu mesmo no Real Madrid, a mãe dele continuou falando com a minha mãe porque, como a gente morava longe, às vezes eu ficava no Rio na casa dele”, iniciou.

“É muito gratificante isso. A mãe dele até hoje fala comigo, com a minha mãe, chama a gente pra ir pra lá. Tanto que a mãe dele passou o Natal na minha casa aqui em Dubai, ano passado”, completou.

Por conta da distância e da rotina, o contato entre Yuri e Vini Jr. deu uma diminuída comparado à época de Flamengo. Mesmo assim, ele ainda sente a dor dos ataques racistas que o amigo passa na Espanha.

“É difícil pra gente que é amigo ver isso acontecendo com ele (Vinicius Júnior). Questão de racismo a gente não tem nem o que falar. A gente sabe que ele vem sofrendo bastante lá na Espanha. Em termos do futebol dele, todo mundo tem um momento que é difícil, sem fazer gol, a bola não entra… nem sempre as coisas vão dar certo. Mas, graças a Deus, ele é um moleque muito trabalhador, sempre foi. Botou o jogo no bolso (contra o Monaco), esse é o Vini que todo mundo conhece.”

Veja outras respostas de Yuri César ao 365Scores:

Boa fase do Shabab Al Ahly no Emiradense

“O time está vivendo uma fase boa. Depois da final da Supercopa, que não conseguimos o título, a chave mudou. Surgiu um alerta ali para a gente, mas conseguimos virar a chave. Agora estamos muito bem, conseguindo terminar o primeiro turno em primeiro, que é muito importante para seguir na temporada. E meu momento? Estou muito feliz por viver esse momento aqui, trabalhando bastante, no clube e em casa. Tenho sido muito feliz e é manter, trabalhar e resolver dentro de campo.”

Presentes por gols nos Emirados

“Eu ganho (presente) mais dos amigos do clube. Já ganhei dois iPhones aqui já. Antigamente, aqui os caras davam bastante (dinheiro), mas hoje em dia não é igual antigamente. Mas a gente faz mais aposta ali internamente no grupo. Até recentemente mesmo, eu ganhei dois iPhones porque fiz gol no clássico daqui e aí o amigo meu me mandou.”

Paulo Sousa, técnico do Shabab

“Ele ficou pouco tempo, então muita gente não conhece muito do Paulo (Sousa). É um cara que sempre busca deixar a gente tranquilo, com uma cabeça boa, sabe gerir o grupo… Ele sabe detalhar tudo pra gente, não é à toa que estamos onde estamos. Sempre brigando por título, ano passado conseguimos quatro de seis. O Paulo é um cara muito gente boa, grande treinador e bastante inteligente.”

Sonho de Europa e futuro no Shabab

“Tenho vontade de ir para Europa. Vou cumprir meu contrato aqui, mas se chegar alguma coisa boa de renovação também é sempre bom estar olhando. Aqui, ainda mais financeiramente, é muito bom, então… Mas acho que respirar novos ares também vai ser bom, até porque são cinco anos aqui. Ir para outros lugares ia ser bom também, mas eu vou cumprir meu contrato aqui. Brasil e Espanha são dois países que tenho preferência, até pelo meu estilo de jogo.”

Interesse do Vasco em 2024

“Eu acompanho bastante, às vezes fico procurando meu nome para ver se tem alguém falando. O Vasco até chegou a fazer contato com o clube aqui (Shabab Al Ahly), mas não houve proposta. Não chega para mim se teve proposta, mas sempre tem meu nome em alguns times, já vi, mas nunca teve uma proposta clara na mesa.”

Oportunidade de defender a seleção dos Emirados

“Não tive contato com ninguém ainda, mas acho que já ficou claro, até porque estou aqui para ter essa oportunidade. A próxima Data Fifa é só em março, tenho tempo para mostrar um pouco mais para ele (Olaroiu Cosmin). Tenho certeza que ele está olhando, só esperar chegar o contato que vou estar pronto.”

Experiência com Leonardo Jardim no Shabab

“O (Leonardo) Jardim é muito bom treinador, um cara gente boa, de gerir grupo também. O dia a dia é top, não tem nem o que falar. Ele me passou muita confiança quando chegou porque eu não vinha jogando muito. Ele veio me dar muita oportunidade, confiança, sou muito grato a ele. É um treinador muito bom, tanto que fez o que fez no Cruzeiro no ano passado.”

Rogério Ceni

“O Rogério foi o cara que me lançou, porque não tinha jogado muito no profissional. Quando fui para o Fortaleza, ele me passou confiança desde o primeiro dia de treino. No primeiro dia no clube, ele já falou o que era para eu fazer, isso só foi me passando mais confiança, sou grato por ele. E quando foi para o Flamengo, ele até chegou a comentar sobre mim lá, mas infelizmente não consegui voltar. Depois, fiquei um mês aqui e foi embora do Flamengo, mas espero que um dia a gente possa se encontrar de novo.”

Saída do Flamengo

“Eu ia renovar (no Flamengo) para mais três anos e salário bom, mas daqui (Emirados Árabes) mexeu muito comigo, até nessa questão financeira, e o projeto também. Eu era muito novo, não sabia se ia chegar um outro treinador no Flamengo, porque o nome do Rogério já não estava tão forte para renovar e daí fiquei com esse receio de voltar para o Flamengo. Ser emprestado de novo por um treinador gringo, me surgiu essa desconfiança… Peguei e aceitei essa proposta, que o projeto era muito melhor para mim.”

Jorge Jesus

“Ele é o que todo mundo vê aí fora, é um treinador muito exigente, que puxa muito, suga muito do jogador. Mas não tive muito contato com ele também, até porque eu treinava ali, descia para jogar no sub-20, uma vez ou outra ficava a semana no primeiro time, mas não tive esse contato muito forte com ele. Mas todas as vezes que a gente se bateu, ele sempre me ajudou, em termos de posicionamento, de finalização.”

Poucas oportunidades (4 jogos) no profissional do Flamengo

“É o que eu falo para todo mundo, era muito difícil, até porque o Flamengo estava num momento muito bom, veio a fase boa mesmo do Flamengo, não tinha muito o que mexer ali. Talvez se eu tivesse uma oportunidade naquele time ali, acho que ia render muito mais.”

Resenha com Vinicius Júnior

Se parar pra contar, tem bastante (resenha). Quando a gente ia pra casa dele pra jogar videogame, ele morava com o tio. Ele era patrocinado pela Nike já na época, e eu não era ainda. Ia pra casa dele, voltava com um monte de tênis, roupa, ele ficava louco. E até hoje a gente briga com isso, quando ele me chamou pra ir pra casa dele ele já fala: ‘Tem que esconder tudo que senão você leva’.

Retorno ao Flamengo

“O Vini é flamenguista demais, tanto que ele fala toda hora abertamente. Mas eu também, se tiver que voltar um dia, nem penso duas vezes. Se chegar proposta, nem penso também, tá louco.”

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Fellipe Perdigão

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