Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF, é contra a possibilidade de aposentar a camisa 10 em homenagem a Pelé
O velório de Pelé, falecido na última quinta-feira, acontece nesta segunda-feira, na Vila Belmiro, e reúne diversos nomes do futebol, incluindo autoridades do Brasil e do mundo. Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF, já chegou ao estádio para se despedir do Rei do Futebol.
Ao chegar ao local, na manhã desta segunda, o mandatário revelou ser contra aposentar a camisa 10 em homenagem ao ex-jogador, apesar de grande apelo da família e também de torcedores. Ele disse que existem outras formas de homenagear a memória de Pelé.
“Minha opinião é que, por mais que as pessoas queiram aposentar a camisa 10, é uma instituição. O melhor atleta usa a 10.. Qualquer time para dar essa camisa tem que ser um atleta com postura e dignidade. Respeito as opiniões contrárias, mas acho que todos os brasileiros e o mundo todo vão olhar a camisa 10 e pensar no Pelé”.
Ainda completou: “Todos os brasileiros e também torcedores do mundo inteiro vão olhar para a camisa 10 e dizer ‘Pelé'”.
Ednaldo ainda revelou que, apesar de ser sua opinião, não há uma decisão sobre aposentar a numeração. Ele disse que, como se trata de um momento de dor, é preciso ouvir se reunir com especialistas para definir a forma de homenagem, além de saber a aceitação da família.
“Nossa administração vai ter um foco muito grande e permanente no sentido de preservar toda a memória e legado de Pelé. Não a partir de agora, mas estávamos enaltecendo as conquistas dele. É único. Todos estão reverenciando ele pelas conquistas, por ser negro e fica um exemplo grande para todos. Nós não podemos fazer nada que não tenha a aceitação da família dele. Temos que conversar para que seja conjunto. Cada homenagem é um momento de dor para eles. Não vamos fazer nada de forma desordenada”.
O mandatário também exaltou a postura e o tratablho de Pelé e disse que o ex-jogador “sofria racismo calado”.
“Talento de ser um atleta completo, mas pela personalidade e dedicação às causas. Principalmente as que envolvem as questões sociais e com as crianças. É uma pessoa que sofria racismo calado, mas dava a resposta com trabalho. Isso perdura até hoje. Ele inspira cada um de nós, negros, a dizermos que somos capazes e temos que ser respeitados. Treinava mais do que todos, procurava se aperfeiçoar mais do que todos. É o atleta de todos os séculos, nunca será substituído”.
Outras autoridades no velório
Além do presidente da CBF, estão presentes na Vila Belmiro o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, que confirmou que os jogos da Libertadores e Sul-Americana terão minutos de silêncio, antes do jogos, em homenagem a Pelé, até as oitavas de final, e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, que irá pedir a todas as federações de todos os países que nomeiem um estádio com o nome de Pelé.
Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol, também participa do velório, assim como o ministro do STF Gilmar Mendes, que foi a primeira autoridade a chegar.
Márcia Aoki, esposa de Pelé, chegou ao velório pouco depois da abertura ao público e chorou muito ao lado do caixão, sendo consolada por Edinho, um dos filhos do Rei.


