Bastidores

Andreas Pereira, do Flamengo, fala pela primeira vez sobre erro na Libertadores contra o Palmeiras

Quase cinco meses após a derrota para o Palmeiras na Libertadores, Andreas Pereira falou pela primeira vez, em entrevista exclusiva ao jornalista Cahê Mota, do “Globo Esporte”, sobre o lance que deu ao título ao rival. Apesar de ser uma cicatriz impossível de apagar, o assunto deixou de ser uma ferida exposta ao meia.

“Eu já vi um milhão de vezes. No momento, estava muito claro o que eu ia fazer e a bola acabou escapando. Já vi um milhão de vezes para ver o que aconteceu, o que poderia ter feito. Não só vi, tive vários sonhos. Sempre lembro da ação e falo: “Por que eu fiz aquilo?”. Agora, eu tento olhar nos gols que eu fiz e focar nas coisas positivas”.

Ainda completou: “Demorei a falar porque sempre coloquei na minha cabeça que vim para o Flamengo jogar bola e quero deixar tudo fora para ficar focado no futebol. Quero apenas treinar e jogar, por isso não tinha dado entrevistas. Quero só bola e vamos ver o que vem pela frente”.

Antes da partida, Andreas tinha caído nas graças da torcida por ter quebrado o jejum de gols de falta e também por conseguir substituir imediatamente Gerson, um dos pilares do clube. Além disso, no confronto final da Libertadores, o meia era um dos melhores em campo – e ele mesmo sabe disso.

No entanto, ele sabe que nenhuma explicação será suficiente nem para ele e nem para os torcedores. Ele agradeceu também o apoio que recebeu, pois o tirou praticamente de um estado de choque nos primeiros dias.

“Para mim, dentro de campo, a final foi um dos jogos que me senti melhor. Não estava acreditando que aquilo tinha acontecido comigo em uma bola que arrisco 100 vezes nos jogos e nunca tinha perdido. Justamente na final, no título que eu mais queria ganhar, vim para o Brasil para ganhar esse título, e teve que acontecer comigo. Não quero que aconteça com nenhum companheiro e fiquei muito triste, foi uma decepção, mas…como vou dizer? Foi um momento de tristeza. Foi difícil”.

“Na primeira semana, minha família me ajudou bastante, a minha mulher… Mas agora tento pensar em coisas positivas. Aquele lance não vai apagar o que eu fiz pelo Flamengo antes e o que eu posso fazer ainda. Sou maior do que somente um lance que aconteceu”, completou.

Na tentativa de volta por cima em 2022, Andreas tem passado por um processo de oscilação na equipe comandada por Paulo Sousa. No entanto, isso surge como justificativa para crítica e torcida, porém o jogador garante que a pressão pelo ocorrido ficou no passado.

“Se toda bola que alguém perder sair um gol… Não é assim que funciona. Para essas coisas, não fico preocupado. Sei que é mais fácil falar que o Andreas Pereira errou, todo mundo vai querer ler isso, vai dar mais clique e atenção, mas estou tranquilo. Sei na minha cabeça o que é o futebol. Estou fazendo o meu esforço, mas não posso opinar se é muito caro ou barato. Às vezes, o jogador quando é muito barato eles pensam: “Hum, alguma coisa não está certa”. Então, jogador caro é bom”.

Sobre o apito final em Montevidéu, Andreas desabafou.

“Quando tem que acontecer, vai acontecer. Não tem jeito. Naquela bola ali, se eu não fizesse aquela ação ou se parar de jogar da forma que sei, vou parar de jogar bola. No campo, vou fazer de novo, errar de novo, tentar não errar, mas fazer o que é melhor. No primeiro instante, quando a bola vem, eu vi que chegava uma pressão e domino para tocar para o outro lado. Mas vi que o Rodrigo Caio e o Isla estavam já pressionados. Ia recuar para o goleiro, mas perdi o balanço, cai para trás e me desequilibrei. Não tive chance nem de me jogar na bola, fazer a falta, e fiquei sem reação. O Deyverson veio com tudo. Normalmente, ele não pressiona. Foi uma bola que ele acreditou, mas eu tinha certeza que depois ia sair o gol. Estava confiante de que ainda íamos virar, estávamos bem no jogo. Foi uma sensação de tristeza mesmo. Quando ele apitou e ficou a certeza de que o título foi embora, você realmente fica pensando o que poderia fazer melhor, o gol que poderia fazer, o que poderia ter feito de melhor”.

Em meio a indefinições do futuro, Andreas revelou que tem vontade de permanecer no Flamengo e já avisou aos amigos e à diretoria que o clube é sua prioridade e de extrema importância.

“Tenho muitos amigos que sempre me falaram: “Vem jogar no Flamengo”. E mostravam como é o clube. Desde o primeiro momento, eu sabia e agora sei sentindo. É um orgulho fazer parte deste clube. O objetivo claro que era ganhar troféus e títulos com o clube. Infelizmente, o ano passado não foi como esperávamos. Faz parte do futebol. Agora, é colocar a mente em frente e alcançar os objetivos”.

Confira outros pontos abordados pela entrevista exclusiva de Andreas Pereira ao “GE”:

Indefinição na compra: -Estou tranquilo e focado. Sei que tem essa indecisão. Tenho também que conversar sobre isso com as pessoas perto de mim e dentro de campo estou tranquilo. Sei que pode ser resolvido daqui a um mês, no final antes de ir embora… Mas estou tranquilo e pensando sempre no próximo jogo.

Apoio dos companheiros após a Libertadores: – Foi incrível o jeito como eles me ajudaram, principalmente o David (Luiz), me consolando e falando também sobre a situação que aconteceu com ele (Andreas faz referência ao 7 a 1 para a Alemanha na Copa de 2014 e chora)… Foi incrível mesmo o que eles fizeram por mim, o Renato (técnico) também. Todo mundo foi incrível. A torcida também, e foi aí que eu vi e falei que esse clube é diferente.

Pressão após o erro: – A pressão sempre vai existir dentro e fora de campo. O futebol é um esporte às vezes cruel. Por uma bola em um jogo em que me sentia tão bem e com tanta certeza que iríamos vencer. Por uma bola que eu perdi, não conquistamos o título. É muito doloroso, sim. Quando eu entro em campo, não escuto nada. Sou eu mesmo. Falo muito com meu pai e amigos meus que no início foi difícil. Eu falava que não sabia se conseguiria virar a página e jogar tranquilo. Mas nos treinos eu já senti isso e na minha cabeça estou tranquilo. Pô, eu lembro do que aconteceu, claro, mas sobre pressão estou tranquilo. As pessoas podem falar, criticar, falar que estou sentindo o fardo, mas estou tranquilo e sei que tenho que continuar dessa forma para reverter.

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