Valdir Bigode se emociona durante assembleia de credores do Vasco: “Tem 21 anos, ninguém me ouviu”
Com aproximadamente 100 pessoas presentes, a assembleia de credores do Vasco teve um emblemático discurso de Valdir Bigode, que entrou em confronto com a diretoria de Pedrinho, cobrando a revisão do plano de pagamento. Recentemente, o ex-jogador participou do Basticast e revelou irregularidades nos pagamentos de dívidas trabalhistas do Cruzmaltino.
Os credores da equipe foram convocados para uma Assembleia Geral, que irá determinar o futuro do plano de recuperação judicial do clube. Um dos objetivos da reunião é dar aos credores a oportunidade de aprovar ou rejeitar o plano apresentado.
Depois de sua participação no podcast, Valdir Bigode foi processado pelo Vasco após acusar irregularidades na fila de pagamento. Durante seu depoimento na assembleia desta quinta-feira, ele contou que tem cerca de R$ 4,5 milhões a receber do clube.
“…Pode me processar, fazer o que quiser. Vou até o último dia. Esse dinheiro me pertence, é da minha família. Eu trabalhei para isso, eu trabalhei… Tô com a coluna toda rasgada, três cirurgias… trabalhei por outros clubes também, mas eu joguei futebol para isso. Eu queria ter uma um respeito de quem vai administrar. Com todo o respeito a todos, as pessoas que estão fazendo isso estão recebendo seus salários em dia. E eu queria receber o meu. Eu estou pacientemente há quase 20, 21 anos esperando. Um monte de gente fez acordo. Eu não quero saber como foi a vida dos outros, quero ver a minha. Sou o número 22 ou 23 e o número 33. Estou aguardando. Ninguém me procurou”, disse o ex-jogador durante seu discurso.
“Esse é o único momento que eu tenho. Ninguém vai me ouvir nunca mais, como não me ouviram. Tem 21 anos, ninguém me ouviu. (interrompido com aplausos)”, desabafou em outro momento.
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O que Valdir Bigode disse?
Em sua participação no Basticast, o ex-jogador comentou sobre as dívidas do clube com os antigos funcionários e descreveu um cenário de abandono.
“O Vasco abandonou seus funcionários. Quando você tem uma empresa que não paga os seus, não vai prospera. O Vasco foi se perdendo no tempo, deixando algumas coisas de lado. Acha que vai salvar uma recuperação judicial? Não vai pagar um monte de gente, deixou 200, 300, 400 pessoas para trás. A recuperação judicial é uma trava para pagar os seus funcionários antigos. Claro (que estou entre os funcionários), como jogador, está aguardando a decisão judicial”, disse.
“Quem fez isso foi o Pedrinho, pediu uma recuperação judicial. O Vasco é um gigante, o que são 2 bilhões por mês para um gigante? Nada, muito pouco. Era o que se pagava para funcionários, tem direito a receber, entra na fila e fica lá recebendo. Parou de pagar tem mais de um ano, não tem como administrar e está na justiça. A SAF é dona, está brigando na Justiça, os caras que compraram estão fora, não pode vender e o pior que não tem ninguém para comprar. Que gestão foi essa? Não sei.”, comentou.
Confira o discurso de Valdir Bigode:
“…Pode me processar, fazer o que quiser. Vou até o último dia. Esse dinheiro me pertence, é da minha família. Eu trabalhei para isso, eu trabalhei… Tô com a coluna toda rasgada, três cirurgias… trabalhei por outros clubes também, mas eu joguei futebol para isso. Eu queria ter um respeito de quem vai administrar. Com todo o respeito a todos, as pessoas que estão fazendo isso estão recebendo seus salários em dia. E eu queria receber o meu. Eu estou pacientemente há quase 20, 21 anos esperando. Um monte de gente fez acordo. Eu não quero saber como foi a vida dos outros, quero ver a minha. Sou o número 22 ou 23 e o número 33. Estou aguardando. Ninguém me procurou.
Recebi um contrato horroroso. Não tem resposta. Não sei se vocês vão perceber. Não sei como vai fazer. O mínimo que eu sei disso, judicamente falando, eu não vou nem usar palavras melhores que eu não tenho. Eu não estudei para isso… Segue a fila. Dois milhões por mês, dois milhões e meio por mês. Continua pagando os credores. Não estou falando por ninguém, mas eu sei, tenho amigos. Nunca quis receber, porque os que estão na minha frente são amigos meus. Trabalharam comigo. Os que estão atrás também são amigos.
Eu não queria o meu nome… “ah, Valdir recebeu porque é amigo do Eurico, porque é amigo…” Não, estou na fila esperando, pacientemente. Com todo o respeito, as palavras aqui, não sei se fui grosseiro, talvez eu tenha sido, mas com respeito. Pense bem nisso, nessa recuperação, do jeito que vai se fazer, um plano melhor… Eu fiz um acordo com o Atlético-MG no passado, eu não fui um jogador igual eu fui no Vasco, fui convidado a aceitar, aceitei. Porque foi uma coisa muito tranquila para o clube e para nós. Foi um acordo justo pra nós, muito justo, e para o clube também. Nunca me procuraram para fazer um acordo, não estou dizendo que fui melhor ou pior do que ninguém não. Estou dizendo que como jogador do Vasco, cheguei na base, representei e representei como profissional.
Isso aqui é, juridicamente não tem como… Prestem atenção nos valores, todos estão precisando. Eu também preciso do meu…
Posso mais um minuto? Me desculpa, me desculpa, eu sei, vou terminar. Mas eu, assim, discordo dos senhores de uma situação. Esse é o único momento que eu tenho. Ninguém vai me ouvir nunca mais, como não me ouviram. Tem 21 anos, ninguém me ouviu. (interrompido com aplausos).
Poderia ter feito vários tipos de acordo. Fiquei pacientemente na fila, eu sou o número 33, estava programado para receber, se não tivesse as pessoas doentes e os mais velhos passando na frente, tudo bem pra mim também, está dentro da lei… Mas ia receber até o ano que vem. Espero, não sei se a minha voz vai fazer nenhum efeito, mas pelo menos eu vou pra casa tranquilo.”
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