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Do título da Premier League à queda para a 3ª divisão: o que aconteceu com o Leicester?

Em maio de 2016, o modesto Leicester City chocava o mundo do futebol ao conquistar o Campeonato Inglês contra todas as probabilidades. Uma década depois, o cenário é completamente diferente: o clube entra na reta final da Championship, a Segundona inglesa, já rebaixado à League One, a terceira divisão nacional.

Atualmente, a equipe está na 23ª colocação com 42 pontos – sete a menos que o West Bromwich, primeiro time fora da zona de descenso.

O time ainda tem dois jogos a fazer, mas a queda foi decretada após o empate em 2 a 2 com o Hull City.

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A temporada, além de desastrosa dentro de campo, também foi afetada fora das quatro linhas. Em fevereiro deste ano, os Foxes foram punidos com a perda de seis pontos por violarem as regras de lucro e sustentabilidade da Premier League em 2023/24.

“Demitam a diretoria. Fora King Power” – Foto: Michael Regan/Getty Images

O início da queda

Após dois ciclos consecutivos batendo na trave por uma vaga na Liga dos Campeões, o Leicester decidiu mudar a estratégia em 2021/22. A intenção era dar o passo definitivo rumo ao torneio continental.

Se antes o clube costumava realizar uma grande venda por temporada – movimento que financiava novas contratações e permitia a renovação gradual do elenco -, naquele ano o caminho foi outro.

Foram gastos cerca de 67,6 milhões de euros (R$ 398 milhões na cotação atual) em reforços e apenas quatro milhões de euros com saídas arrecadados, segundo o site “Transfermarkt”. Um desequilíbrio de 63,3 milhões de euros (R$ 373 milhões no cotação atual) no mercado.

“Trouxeram Soumaré, Daka, Vestergaard, Bertrand e Lookman. Lookman foi relativamente bem, mas ele estava apenas por empréstimo. Os outros quatro não foram bem de jeito nenhum e realmente não causaram impacto.

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Acho que foram forçados a apostar porque esperavam vender Youri Tielemans por 35 a 40 milhões de libras, mas não houve esse interesse. Então decidiram mantê-lo, gastar 50 milhões em novos jogadores e tentar a Champions League. Obviamente, não foi isso que aconteceu”, disse o jornalista Jordan Blackwell, do jornal “Leicester Mercury”, ao 365Scores.

A aposta que custou caro

O resultado foi frustrante. O Leicester terminou a Premier League apenas na oitava colocação e fora das competições europeias.

Na temporada seguinte, o balanço até ficou positivo, impulsionado pela venda de Wesley Fofana ao Chelsea por 75 milhões de euros (R$ 378 milhões na cotação da época). Entretanto, os efeitos da aposta anterior começaram a se aprofundar.

Em 2022/23, a equipe caiu para a segunda divisão, retornou logo em seguida e voltou a investir pesado para tentar se manter na elite: quase 100 milhões de euros em contratações e apenas 47 milhões em vendas.

O resultado? Novo rebaixamento para a Championship na última temporada e a dificuldade para negociar atletas com salários elevados.

“Após o rebaixamento, eles precisavam renovar o elenco, mas a má gestão financeira não permitiu gastar dinheiro. Trouxeram apenas jogadores por empréstimo e livres, que não causaram impacto. O time é basicamente o mesmo da temporada passada, e essa mentalidade de derrota permaneceu.

Também houve desalinhamento: contrataram Gary Rowett (técnico), mas os reforços não se encaixavam. Há muitas razões para o momento, mas essa tem sido uma das chaves da temporada”, garantiu Jordan.

“É um clube mal administrado”

Torcedores do Leicester têm realizado uma série de protestos contra dirigentes e líderes do clube pelo mau momento. Em janeiro, mesmo com a vitória por 2 a 1 sobre o West Brom, parte dos fãs boicotaram o jogo e deixaram as arquibancadas do King Power Stadium vazias em sinal de insatisfação.

Os principais alvos são o diretor de futebol John Rudkin e o presidente Aiyawatt “Top” Srivaddhanaprabha, que é CEO da King Power, empresa dona do clube, e assumiu o posto após seu pai, Vichai, morrer em um acidente de helicóptero em 2018.

“A morte deste clube está agora em curso. O prego no caixão foi a promoção de Rudkin. Fora King Power” – Foto: Michael Regan/Getty Images

O empresário, inclusive, não esteve presente na derrota por 1 a 0 para o Swansea, no sábado (11), o que gerou ainda mais revolta.

“John Rudkin, diretor de futebol há cerca de 12 anos, supervisiona tudo. Se o Leicester olha para rebaixamentos consecutivos, isso passa por má gestão financeira, maus negócios de transferências, salários e contratos generosos demais, que dificultaram vendas – e essas questões voltam a ele.

O presidente e dono, Top, também recebeu críticas por empregá-lo e pela sensação de falta de liderança – como no jogo contra o Swansea, quando não estava no estádio. Há um sentimento de que o clube parece sem líder. Se o Leicester cair, será com um dos elencos mais caros e mais bem pagos da Championship, o que indica erros desde o topo”, ressaltou o jornalista inglês.

O aniversário que pode virar trauma

Em 2 de maio, completam-se 10 anos do histórico título da Premier League do clube. E o que deveria ser celebração na cidade pode virar pesadelo.

Por curiosidade – ou crueldade do destino -, a data coincide com a última rodada da Championship, que pode marcar o retorno do Leicester à terceira divisão.

“Há um pouco mais de raiva porque o legado do título pode estar sendo manchado. Se o Leicester for rebaixado, seria provavelmente a pior temporada da história — 10 anos após a melhor.

Leicester City

Leicester City

Estatísticas Championship 2025/26
✅ Vitórias 11
🤝 Empates 14
❌ Derrotas 18
⚽ Gols marcados 54
🧤 Gols sofridos 65
📊 Saldo de gols -11
🏆 Pontos 41

Fora de Leicester, o 10º aniversário é motivo de celebração. Mas os torcedores estão focados no aqui e agora, na má gestão e no desempenho ruim. Não têm capacidade de celebrar 10 anos atrás porque querem entender por que está tão ruim agora.

Além da raiva, há apatia. O clube que veem em campo não é o que lembram de 10 anos atrás, e isso gerou distanciamento e menos interesse ao longo da temporada”.

Há volta para o Leicester?

Mesmo diante do cenário crítico, há pilares estruturais. O Leicester possui um dos melhores centros de treinamento do país e segue revelando jovens. Em alguns jogos, metade dos relacionados veio da base

Para Jordan Blackwell, “isso dá uma base para o elenco e reduz a necessidade de gastar tanto. Precisam assumir menos riscos, ser menos generosos em salários e duração de contratos para facilitar vendas”

“Quando venceram a Premier League, fizeram contratações inteligentes como Jamie Vardy, Riyad Mahrez e N’Golo Kanté. Isso tem faltado. Não podem continuar gastando tanto em transferências ruins”.

Jogadores do Leicester desolados após nova derrota na Championship – Foto: Michael Regan/Getty Images

Ainda assim, existe o risco de o Leicester não conseguir se recuperar rapidamente e viver um ciclo prolongado fora da elite, como ocorreu com Leeds United e Sunderland, que passaram anos longe da Premier League por problemas financeiros.

“Sim, é possível (enfrentar algo parecido). A má gestão e os grandes ajustes financeiros tornam improvável uma recuperação rápida. Casos como o Sunderland mostram que pode levar anos.

Não parece provável que o dono queira vender. Algo como os 10 anos que o Leicester já passou fora da Premier League entre 2004 e 2014 é possível novamente”, finalizou Jordan Blackwell.

Próximos jogos do Leicester

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Tabela da Championship

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Lucas Dantas

Jornalista formado pela UNIFACHA do Rio de Janeiro, apaixonado por futebol e pela arte de contar boas histórias dentro e fora das quatro linhas. Também tento me arriscar na Fórmula 1.

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